sábado, 4 de maio de 2013

Projeto "Pensar e Agir" / Project "Think before doing something"

 
      Nas nossas escolas deparamo-nos, cada vez mais, com a dificuldade que as nossas crianças têm em resolver os seus problemas com os colegas e mesmo com os adultos sem ser com o recurso à violência verbal ou mesmo física. O controle das suas emoções é algo que não têm desenvolvido.
        Perante esta situação, no mês de janeiro, durante uma viagem de autocarro a Lisboa, eu e a minha colega, Luísa Vasconcelos, conversávamos precisamente sobre este problema que é cada vez mais recorrente. Chagadas ao Oriente, encontrámos lá uma feira do livro e encontrámos um livro com atividades que ajudam a trabalhar as emoções nas crianças a partir dos 8 anos, precisamente a faixa etária com a qual estamos a trabalhar, Atividades para o desenvolvimento da inteligência emocional.
 
         Esta questão da inteligência emocional é muito debatida, uns defendem, outros não acreditam, mas ninguém pode negar, explorando o livro, que as atividades lá propostas são ótimas para desenvolver e trabalhar as emoções com as nossas crianças. Até para nós, adultos, há situações lá que se aplicariam perfeitamente, nomeadamente a tarefa do "semáforo" que falarei mais à frente.
 
        Na viagem de regresso, já com o livro na mão, começamos a selecionar as páginas a trabalhar e elaboramos o nosso projeto "Pensar e Agir" para trabalhar com os nossos alunos (3º e 4º anos).     
         O projeto tem sido bastante interessante e obtido alguns resultados bastante surpreendentes. Já no colégio, em conversa com a nossa psicóloga, Mónica Freire, ela mostrou-se bastante interessada no projeto e sugeriu mais um livro para nos ajudar a trabalhar: Sentimentos e emoções ilustrados. Estas duas obras recomendamos para quem queira realizar um projeto semelhante nas suas escolas. É certo que, como todos os projetos, não produz efeitos em todas as crianças, mas notam-se melhoras nos seus relacionamentos bastante significativas.
 
          Para explicar o projeto, nada como o testemunho de um aluno. Como tal pedi, na semana passada, que os alunos escrevessem um texto a descrever o projeto e selecionei um para colocar nesta publicação.
 
          A redação deste texto, também tinha como objetivo incentivar os alunos a melhorar a sua escrita, tentando utilizar os diferentes conetores frásicos que já lhes tinham sido apresentados. Como tal, é um projeto pluridisciplinar, podemos alargá-lo às diferentes áreas.
 
            Não hesitem em criar projetos deste género nas escolas, pois é benéfico para todos os que se encontram envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, para além de que, estaremos a preparar homenzinhos e mulherzinhas do amanhã, capazes de lidar com as diferentes situações so dia-a-dia.
 
Ana Arada
 
Projeto Pensar e agir


                No mês de janeiro, as professoras do 3º e 4º anos pensaram em construir uma nova atividade, o projeto Pensar e agir.

 
         Primeiro começamos por aprender o “semáforo”. Ele serve para quando nós estivermos a brincar, evitarmos zangar com os colegas e andar à luta. O “semáforo” tem três cores. A primeira cor é vermelha e diz sempre que devemos parar quando estamos zangados. Depois vem a cor amarela, ela serve para depois de parar, respirar fundo e acalmar. Por fim, temos a cor verde, ela serve para depois de respirarmos fundo, explicarmos o problema e dizer como nos sentimos.
                Entretanto, aprendemos a identificar os “defeitos e qualidades”. Construímos uma tabela onde dizia os aspetos positivos e os aspetos a melhorar sobre nós, colegas, professores, amigos, etc.
                Depois desenhamos e escrevemos os nossos dons, eu escrevi que o meu dom é dançar.
                Depois aprendemos o que são “palavras emocionais”. Nas “palavras emocionais” escrevemos: tristeza, alegria, amor, surpresa, irritação, vergonha e medo. À frente dessas palavras pintámos, a lápis de cor, a cor que achávamos que pertenciam a essa palavra. Depois associamos essas palavras a situações diversas.
                Em seguida, escrevemos “palavras emocionais” e desenhámo-las como nós achávamos que eram essas palavras. Logo depois escrevemos frases e dissemos se eram tristes, alegres, etc.
                Seguidamente, a nossa professora deu-nos uma tabela para nós colarmos no caderno “Pensar e Agir” e nessa tabela tinham lá alguns números com qualidades e umas frases a explicar as qualidades e nós tínhamos que relacionar os números com as frases. O objetivo era compreender que acções estavam associadas às qualidades apresentadas. 
                Depois, escrevemos “As qualidades que os nossos colegas encontram em nós”. A professora pediu que fossemos um a um para ela nos colar um papel atrás das costas e escrevemos todos as qualidades que encontrávamos nos nossos colegas. A mim escreveram que eu era: afectuosa, boa, amável, carinhosa, generosa e nobre. Depois de vermos o nosso papel, colámo-lo no nosso caderno “Pensar e Agir”.
              Todos os dias escrevemos “boas acções” que observamos os nossos colegas fazer e registámo-las em papeizinhos, que colocámos n’ “A caixa das boas acções”. No final da semana, um menino lê as boas ações e, quem praticou essa boa ação cola-a no seu caderno.
                Por fim, começamos a reflectir no nosso caderno “Pensar e Agir” sobre as nossas atitudes negativas e como devemos corrigi-las e também reflectimos no final de cada semana, como correu essa semana.
                Estamos a gostar muito deste projeto, pois ajuda-nos a crescer e a relacionarmo-nos melhor uns com os outros.
  Bárbara Faria, 3º ano
 
 
 
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         In our schools we are faced increasingly with the difficulty that our children have to solve their problems with his friends and with adults without the use of verbal or even physical agretions. The control of theis emotions is something we have not developed.
        Faced with this situation, in January, during a bus trip to Lisbon, me and my colleague Luisa Vasconcelos, talked about precisely this problem that is increasingly recurring. Quem we arive to the Oriente station, we found there a book fair and found a book with activities that help work the emotions in children as young as eight years old, precisely the age group with which we work, Atividades para o desenvolvimento da inteligência emocional.
          This issue of emotional intelligence is much debated, some argue, others do not believe, but no one can deny, exploring the book, that the activities proposed are great and work to develop the emotions in our children. Even for us adults, there are some situations that would apply perfectly, including the task of "Light" that I will speak later.
         On the return trip, with the book in hand, we started to select the pages to work and prepare our project "Think before doing something" to work with our students (3rd and 4th grade).
        The project has been quite interesting and got some pretty amazing results. Already in college, in conversation with our psychologist, Monica Freire, who showed to be very interested in the project, suggested another book to help us work: Feelings Sentimentos e emoções ilustrados. These two works we recommended for those who wish to undertake a similar project in their schools. Admittedly, like all projects, we don't feel effects in all children, but are noticeable improvements in their relationships quite significant.


           To explain the project, nothing like the testimony of a student. I asked last week, to students write a text describing the project and I've selected a one for this publication.

           The writing of this text, also aimed to encourage students to improve their writing, trying to use different connectors in the sentences that we had already worked in Portuguese lessons. As such, it is a multidisciplinary project, we can extend it to different areas.
             Feel free to create projects of this kind in your schools, it is beneficial to all who are involved in the teaching-learning process, apart from that, we will prepare and little mens and women of tomorrow, capable of dealing with different situations of everyday.
Ana Arada

Project "Think before doing something"

      In January, the teachers of the 3rd and 4th grade thought of building a new activity, the project "Thinking before doing something".
       First we started by learning the "traffic". It used to, when we're playing, avoid get angry with colleagues and fight with each other. The "traffic" has three colors. The first color is red and says we must always stop when we are angry. Then comes the color yellow, it serves to stop, take a deep breath and calm down. Finally, we have the color green, it serves to breathe and explain the problem and say how we feel.

       
After that, we learn to identify "defects and qualities." We c
onstructed a table where it said the positive aspects and aspects to improve upon us, colleagues, teachers, friends, etc...
Then we draw and write our gifts, I wrote that my gift is dancing.

      
After we learned what are "emotional words". In the "emotional words" we wrote: sadness, joy, love, surprise, anger, shame and fear. Ahead of these words we painted, with color pencil, the color that we thought belonged to that word.
Then associate those words to different situations.

          After that, we
 write "emotional words" and draw them as we thought those words were. 
In the end we written sentences and said if it was sad, happy, etc..

         
Then, our teacher gave us a table for us in the to paste in the notebook "Pensar e Agir" and in that table there were some qualities with numbers and phrases to explain the qualities and we had to relate the numbers with the phrases.
The aim was to understand which actions were associated with qualities presented.

        Then we wrote "The qualities that our colleagues see in us." The teacher asked us to go one by one  next to her and she put a papper behind our back and we wrote all the qualities that we see in our colleagues. They wrote to me that I was, affectionate, good, kind, loving, generous and noble. After seeing our qualities we paste them it in our book "Pensar e Agir."
       Every day we write "good deeds" that we see our colleagues to do and write them on pieces of paper that we put in "The box of good deeds." At the end of the week, a student reads the good deeds, and those who practiced this good deed paste it in its notebook.

       Finally, we begin to reflect on our book "Pensar e Agir" about our negative attitudes and how to fix them and also reflect in the end of each week, how it was that week.

       We are really enjoying this project because it helps us to grow and have better relationships  with each other.
Bárbara Faria, 3rd grade




terça-feira, 26 de março de 2013

Trabalhos da Páscoa / Easter works

     Como todos sabemos a Páscoa é a festa mais importante para os cristãos, pois foi devido à morte e ressurreição de Cristo que nasceu a religião cristã.
 
      Em Portugal esta festa é uma tradição de longa data, que reune a família para celebrar este acontecimento. Nós não poderíamos deixar passar esta celebração e torná-la mais bonita realizando uns trabalhinhos para os alunos levarem para casa e decorá-la no dia de Páscoa.
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       As we all know Easter is the most important festival for Christians because it was due to the death and resurrection of Christ that the Christian religion was born.

       In Portugal this party is a longstanding tradition that the family gathers to celebrate this event. We could not miss this celebration and make it more beautiful by performing some works for students to take home and decorate it on Easter day.
 
2º ano / 2nd grade (professora /teacher Susana Gama)
Materiais / Materials:
- ovos de esferovite / styrofoam eggs;
- penas e caixas de ovos para decorar / feathers and egg boxes to decorate;
- Pau de espetada e plasticina para modelar a base / Dick skewered and plasticine to model the base.
 

3º ano / 3rd grade (professora / teacher Ana Arada)
Materiais / Materials:
- 11 molas de madeira / 11 springs timber;
- 1 cartão para a base / 1 card to the base.
 
 
 


 


4º ano / 4th grade (professora / teacher Luísa Vasconcelos)
Materiais / Materials:
- Papel esponja para desenhar o coelho / paper sponge to draw the rabbit;
- Copo de gelado decorado com lã e um pedaço de papel crepe dentro para guardar os ovinhos de chocolate / Glass of icecream decorated with a piece of wool and crepe paper inside to put their chocolate eggs.
 
      Tenham uma Páscoa feliz! / Have a nice Easter!
 
Ana Arada

Trabalhos do Dia do Pai / Father's Day works

      A celebração do Dia do Pai teve a sua origem nos Estados Unidos da Améria. Em Portugal este dia é celebrado a 19 de março, dia de S. José, em homenagem ao pai adotivo de Jesus, que tão bem cuidou dele.
  
      Mantendo esta tradição de décadas, peparámos uns belos presentes para os nossos alunos oferecerem aos seus pais ou pessoa que representa a figura paterna nas suas vidas.
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       The celebration of Father's Day had its origin in the United States of Ameria. In Portugal this day is celebrated on March 19th, the day of St. Joseph, in honor of the foster father of Jesus, who cared for him so well.


       Keeping this tradition of decades, we prepared some beautiful gifts to our students offer to their parents or person who is the father figure in their lives.


 
1º ano / 1st grade (professora / teacher Ana Rodrigues)
Materiais / Materials:
- Passpatu de madeira / Passpatu timber;
- Tintas para pintar o passpatu / Paints to paint the passapatu;
- Objetos e letras  de madeira para decorar / Objects and wooden letters to decorate;
 - Foto do/a aluno/a / Student picture.
 
 
 
2º ano / 2nd grade (professora / teacher Susana Gama)
Materiais / Materials:
- Bloco de folhas com a capa lisa / Block leaves with smooth cap;
- Tiras de papel, letras de madeira e brilhantes para decorar / Strips of paper,  wooden letters and brights to decorate.
 
 
 
 
 
 
3º ano / 3rd grade (professora / teacher Ana Arada)
Materiais / Materials:
- Pasta das (barro que seca ao ar) para modelar a base / Binder (air dry clay) to model the base;
- Um pau de espetadas e molas de madeira para construir o suporte para as fotografias / A kebab stick and springs wood to build the support for the photos;
- Fotos dos(as) alunos(as) com os seus pais / Photos of the students  with their fathers;
- Folha de cartolina A4 para criar o postal / A4 sheet of cardstock to create the postcard.
 
4º ano / 4th grade (professora / teacher Luísa Vasconcelos)
Materiais / Materials:
- 6 folhas de cartolina A4 para criar o livro / 6 sheets of A4 cardstock to create the book;
- Diferentes materiais (lã, papel, etc) para ilustrar os poemas escritos pelos alunos sobre os seus pais / Different materials (wool, paper, etc.) to illustrate the poems written by students about their fathers.
 
 
      Bom Dia do Pai para todos! / Happy Fathers Day to you all!
 
Ana Arada

domingo, 16 de dezembro de 2012

Trabalhos de Natal 2012 / Christmas works 2012

       Como vem sendo habitual deixo aqui a partilha dos trabalhos de Natal elaborados pelos nossos alunos. / As usual I share the Christmas works made by our students.
 
Presépio para pendurar / Nativity to hang       
     1º e 2º anos com as professoras Ana Rodrigues e Luísa Vasconcelos / 1st and 2nd grade whith the teachers Ana Rodrigues e Luisa Vasconcelos
 
Materiais / Materials:
- Tecido de feltro / felt fabric
- Moldes com as imagens para desenhar no tecido / templates with images to draw in the fabric
- Brilhantes para decorar / brilliant for decorating
 
 




Candeeiro de Natal / Christmas lamp
         3º ano com a professora Ana Arada / 3rd grade with teacher Ana Arada
 
Materiais / Materials:
 - Uma caixa de cartão / cardboard box
- Jornal para forrar a caixa / newspapper to line the box~
- Tinta castanha para pintar a caixa / brown ink to paint the box
 
- Depois de cortar as imagens, usa-se sacas plásticas coloridas para preencher os espaços / After cutting the images, it uses colored plastic bags to fill the spaces
- No final, colocar um candeeiro dentro / At the end, placing a lamp within
 
 
 
 
Vitrais / Stained glass
        3º ano com a professora Ana Arada / 3rd grade with teacher Ana Arada
 
Materiais / Materials:
- Molde em cartolina preta / mold in black cardstock
- Papel celofan para preencher os espaços vazios de decorar as imagens / Cellophane paper to fill the empty spaces to decorate images
 
 
 
 
 
 
Bolas de Natal com lã / Christmas balls with wool
         3º ano com a professora Ana Arada / 3rd grade with teacher Ana Arada
 
Materiais / Materials:
- Uma bola velha de decorar o pinheiro de Natal / An old ball to decorate the Christmas tree
- Colar lã à volta para decorar a bola / Paste wool around the ball to decorate
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lamparina de decoração / Lamp decoration
          Criado pela professora Ana Arada / Made by teacher Ana Arada
 
Material / Materials:
- Um pacote de leite de 1 litro /  A milk carton 1 liter
- Forra-se com papel crepe / Papers with crepe paper
- Depois de recortadas as imagens, preenche-se os espaços vazios com papel celofan / After cropped images, fills up the empty spaces with cellophane paper
- No final coloca-se uma vela dentro / At the end a candle is placed inside
 
 
 
 
 
 
Cds para decorar a árvore de Natal / Cds to decorate Christmas tree
         4º ano com a professora Carla Ribeiro. / 4th grade with teacher Carla Ribeiro.
 
Materiais / Materials:
- Cds estragados / cds damaged
- Foto de cada aluno para colar no centro / Photo by each student to glue in the center
- Tintas coloridas, tecido de feltro e fitas de cetim para decorar / Colored inks, felt fabric and satin ribbons to decorate
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
        Um feliz Natal para todos! / Merry Christmas to you all!
 
Ana Arada

sábado, 24 de novembro de 2012

Porque devem os pais pôr os filhos a chorar? / Why sould the parents make their children cry?

 
        A ideia de fazer tudo para que os filhos sejam felizes, evitando que chorem, está ultrapassada.
A teoria de disciplinar sem que a criança chore está desatualizada, diz Gordon Neufeld, psicólogo clínico canadiano que esteve em Portugal no final da semana.
        “As crianças precisam da tristeza, da tragédia para crescerem. Precisam de ter as suas lágrimas”, defende.
        Nos primeiros meses e anos de vida, o “não” dito pelos pais ajuda a disciplinar, em vez de estragar a criança. “Estamos a perder isso na nossa sociedade, não admira que as crianças estejam estragadas com mimos. Afinal, elas são sempre as vencedoras”, continua o investigador que esteve em Lisboa a convite da empresa BeFamily, do Fórum Europeu das Mulheres, da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e da Associação Portuguesa de Imprensa.
        Na conferência sob o lema “Vínculos Fortes, Filhos Felizes”, Neufeld defende que só se atinge o bem-estar através da educação e que esta deve estar a cargo das famílias e não do Estado.
        E para garantir o bem-estar de qualquer ser humano ou sociedade é necessário preencher seis necessidades.
         A primeira é o “aprender a crescer” e para isso há que chorar, é preciso que a criança seja confrontada, que viva conflitos, de maneira a amadurecer, a tornar-se resiliente, a saber viver em sociedade.
       A segunda necessidade é a de a criança criar vínculos profundos com os adultos, estabelecer relações fortes. Como é que se faz? “Ganhando o coração dos filhos. É preciso amarmos e eles amarem-nos. Temos de ter o seu coração, mas perdemos essa noção”, lamenta o especialista que conta que, quando lhe entram na consulta pais preocupados com o comportamento violento dos filhos, a primeira pergunta que faz é: “Tem o coração do seu filho?”, uma questão que poucos compreendem, confidencia. E dá um exemplo: Qual é a principal preocupação dos pais quanto à escola? Não é saber qual a formação do professor ou se este é competente. O que os pais querem saber é se a criança gosta do docente e vice-versa. “E esta relação permite prever o sucesso académico da criança”, sublinha Neufeld, reforçando a importância de “estabelecer ligações”.
       E esta ligação deve ser contínua – a terceira necessidade –, de maneira a evitar problemas. Neufeld recorda que o maior medo das crianças é o da separação. Quando estão longe dos pais, as crianças começam a ficar ansiosas e esse sentimento pode crescer com elas, daí a permanente procura de contacto, por exemplo, entre os adolescentes com as mensagens enviadas por telemóvel ou nas redes sociais, muitas vezes, ligando-se a pessoas que nem conhecem, alerta o especialista.
       O canadiano recomenda que os pais estabeleçam pontes com os seus filhos. Quando a hora da separação se aproxima, há que assegurar que o reencontro vai acontecer. Antes de sair da escola, dizer “até logo”; à hora de deitar, prometer “vou sonhar contigo”. Mas a separação não é só física, há palavras que separam como “tu és a minha morte” ou “tu és a minha vergonha”. Mesmo quando há problemas graves para resolver, a frase “não te preocupes, serei sempre teu pai” ajuda a lembrar que a relação entre pai e filho é mais importante do que o problema. Hold on to your kids é o nome do livro que escreveu e onde defende esta teoria.
        A importância de brincar
       A quarta necessidade a ter em conta para garantir o bem-estar dos filhos é a necessidade de descansar. Cabe aos adultos providenciar o descanso e este passa por os pais serem pessoas seguras e que assegurem a relação com os filhos.
      As crianças precisam que os pais assumam a responsabilidade da relação, que mantenham e alimentem a relação, de modo a que elas possam descansar e, nesse período, desenvolver outras competências. Uma criança que está ansiosa pela atenção dos pais não está atenta na escola, por exemplo.
      Brincar é a quinta necessidade a suprir.
      Não há mamífero que não brinque e é nesse contexto que se desenvolve, aponta Neufeld. E brincar não é estar à frente de uma consola ou de um computador; é “movimentar-se livremente num espaço limitado”, não é algo que se aprenda ou que se ensine. E, neste ponto, Neufeld critica o facto de as crianças irem cada vez mais cedo para a escola, o que não promove o desenvolvimento da brincadeira. “Os ecrãs estão a sufocar a brincadeira e as crianças não têm tempo suficiente para brincarem”, nota o psicólogo clínico que, nas últimas semanas, fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas sobre “qualidade na infância”.
        Por fim, a sexta necessidade é a de ter capacidade de sentir as emoções, de ter um “coração sensível”. “Estamos tão focados em questões de comportamento, de aprendizagem, de educação; em definir o que são traumas; que nos esquecemos do que são os sentimentos. As crianças estão a perder os sentimentos quando dizem ‘não quero saber’, ‘isso não me interessa’, estão a perder os seus corações sensíveis”, diz Neufeld.
 
       Em resumo, é necessário que os pais criem uma forte relação emocional com os filhos, de maneira a que estes sejam saudáveis. Os pais são os primeiros e são insubstituíveis na educação dos filhos e são eles que devem ser responsáveis pelo seu desenvolvimento integral e felicidade. Se assim for, estarão também a contribuir para o bem-estar da sociedade.

 Por Bárbara Wong, no jornal Público em 20/11/2012
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      The idea of doing everything to ensure that the children are happy, avoiding that they cry, is outdated.
      The theory of discipline without which the child cry is out of date, says Gordon Neufeld, Canadian clinical psychologist who was in Portugal at the end of the week.
"Children need the sadness of the tragedy to grow. Need their tears", argues.
       In the first months and years of life, "not" said by parents helps discipline, rather than spoil the child. "We are losing this in our society, it is no wonder that kids are spoiled rotten. After all, they are always the winners", continues the researcher who came to Lisbon at the invitation of the company BeFamily, of the European Forum of women, of the Portuguese Association of large families and the Portuguese Press Association.
       At the Conference under the motto "Strong Ties, Kids happy", Neufeld says that only reaches the welfare through education and that this should be the responsibility of families and not of the State.
      And to ensure the welfare of any human being or society are required to complete six needs.
       The first is the "learn to grow" and for this we must cry, children must be confronted, that conflict alive in order to mature, becoming resilient, namely living in society.
      The second need is that of the child create deep links with adults, establish strong links. How do you do? "Winning the hearts of the children. It takes love and they love us back. We need to have their heart, but we lost that notion", laments the expert who tells us that when he falls into query parents worried about the violent behavior of the children, the first question is: "Do you have the heart of your son?", a question that few understand, confides. And gives an example: what is the main concern of parents about the school? Not knowing which teacher training or if this is competent. What parents want to know is if the child likes the teacher and vice versa. "And this relationship makes it possible to predict the academic success of children," stresses Neufeld, reinforcing the importance of "establishing connection".
      And this connection must be continuous – the third need-in order to avoid problems. Neufeld recalls that the biggest fear of children is that of separation. When they are away from their parents, the children start to get anxious and that feeling can grow with them, hence the demand for permanent contact, for example, between adolescents with messages sent by mobile phone or on social networks, often turn to people who do not even know, alert the specialist.
      The Canadian recommends that parents establish bridges with their children. When the hour of separation approaches, we must ensure that the reunion will happen. Before leaving the school, say "Goodbye"; at bedtime, promise "I'll dream of you". But the separation is not just physical, there are words that separate as "you are my death" or "you are my shame". Even when there is serious problems to solve, the phrase "don't worry, I will always be your father" helps you remember that the relationship between father and son is more important than the problem. Hold on to your kids is the name of the book they wrote and which defends this theory.
      The importance of play
     The fourth need to be taken into account is to ensure the well-being of children is the need to rest. It is up to adults to provide the rest and this passes through parents being insured persons and to ensure that the relationship with the children.
      Children need parents to assume the responsibility, to maintain and nurture the relationship, so that they can rest and, during this period, developing other skills. A child who is eager for the attention of parents aren't attentive at school, for example.
       Play is the fifth need to meet.
      There is no mammal that do not play and it is in this context that he develops, said Neufeld. And play is not to be in front of a console or a computer; is "move freely within a limited space", is not something you learn or teach. And, at this point, Neufeld criticizes the fact that the kids go earlier and earlier for the school, which does not promote the development of the game. "The screens are stifling the joke and children do not have enough time to play", note the clinical psychologist who, in recent weeks, made a tour through various European countries, having been hearing at the European Parliament in Brussels on "quality in childhood".
       Finally, the sixth is the need to have ability to feel emotions, of having a "sensitive heart". "We're so focused on learning, behavior issues, education; in defining what are traumas; that we forget what are the feelings. Children are losing the feelings when they say 'no wonder', 'that doesn't interest me', are losing their hearts susceptible", says Neufeld.
       Concluding, it is necessary that parents create a strong emotional relationship with their children, so that they are healthy. Parents are the first and are irreplaceable in educating the children and they are the ones who should be responsible for their integral development and happiness. If so, will also contribute to the well-being of society.
 
By Bárbara Wong, in Público newspapper em 20/11/2012